ENTREVISTA

Leônidas Grego "Na minha infância, desenhava no papel do pão, de embrulhos, nos cadernos, era o terror dos cadernos das minhas irmãs!"

(Leônidas Grego)
Quando você começou sua carreira de
desenhista de histórias em quadrinhos?
Desenho desde criancinha, acho que mesmo antes de aprender a falar, já me expressava com desenhos (quase todo ser humano é assim: primeiro desenha, depois fala). Quando eu tinha de 15 pra 17 anos, fiz um curso de desenhos animados com o estúdio franco-canadense, que rodava o mundo dando cursos para diversas comunidades. Neste período, fizemos alguns trabalhos importantes, produzidos com os alunos. Foram animações para a Rede Globo de Televisão. Algumas mensagens de fim de ano e um clip animado para A Turma do Balão Mágico, que contracenava com o Rei Roberto Carlos. O que mais me marcou era que eu era fã do Balão Mágico, assistia ao programa todos os dias, e havia participado daquele importante trabalho. Nem a minha mãe acreditou, quando estávamos diante da televisão assistindo, que eu havia participado daquela equipe, e olha que tem gente que até hoje duvida de mim.
E depois disso?
Bom, quando você faz um trabalho importante, logo chama outro: pintou a oportunidade de se renovar a vinheta de abertura da TV Aratu – olha só, a TV que havia marcado a minha infância, com desenhos vespertinos. A música era: “Do quatro eu não saio, nem eu nem ninguém...” A TV Aratu era, na época, a repetidora da Globo. Estes dois trabalhos foram importantes para a carreira que eu escolhera seguir. Depois desta fase, veio o estágio no Estúdio Cedraz. Foi ali que me desenvolvi como roteirista, desenhista e arte-finalista. Aprendia e já ganhava dinheiro com a minha arte.

Você lia muitas revistinhas (gibis) quando era criança?
Quando eu era criança, era um devorador de livros de literatura infantil e de revistas em quadrinhos. Comprava muito, recebia de presente. Passei a colecionar, também. Chegou uma época de ter mais de 6000 títulos em casa. Não havia espaço para tantos impressos. Como o meu pai era analfabeto, tinha admiração pelo meu amor aos livros e às revistas, então, não faltava dinheiro nem espaço para as minhas coleções. O gosto pelas revistas em quadrinhos foi herança do meu irmão mais velho. Ele tinha várias coleções guardadas, em sacos plásticos, e bem protegidas de mim. Quando ele saia pra estudar ou ir jogar bola, eu violava a sua privacidade e mergulhava naquele mundo de sonhos e fantasias.
E hoje? Continua lendo? Quais são seus preferidos?
Eu sou uma eterna criança. Continuo lendo de tudo. Só que agora não guardo mais como antes. Mas, ainda tenho algumas revistas e livros guardados, e continuo comprando. Os meus prediletos são os mesmos de sempre: Maurício, Disney, Cedraz e os mangás japonenses, entre eles Dragon Ball, o fenômeno. Admiro os artistas que estão fora do circuito comercial, mas não desistem, continuam produzindo as suas revistas de autor. Entre eles: Carlos Henry, Emir Ribeiro, Hélcio Rogério, Sidarta, Marcos Franco.
Você tem algum apelido?
O meu apelido na infância era Pingüim, depois veio o tal de Grego, e ficou, daí passei a usá-lo como nome artístico. Na infância, eu vivia fazendo HQs (histórias em quadrinhos) com um pingüim que vivia num iglu com aquecedor. O bichinho não gostava de frio. Tinha um colega que adorava as histórias, e quando me via no pátio da escola dizia:
- Olha lá o pingüim que não gosta de frio!
Era eu e, realmente, odeio o frio. Recusei ir para São Paulo por não gostar do frio.
Como foi sua infância? Quais eram as brincadeiras preferidas?
A minha infância foi bem legal. Desenhava e jogava muita bola. Queria ser jogador de futebol, jogava muito bem. E queria ser desenhista, desenhava muito bem. Fiquei com esta opção, por falta de oportunidade como jogador. Fui dos infantis do Fluminense de Feira de Santana por longos anos, cheguei a jogar até nos juvenis. Na minha infância, desenhava no papel do pão, de embrulhos, nos cadernos, era o terror dos cadernos das minhas irmãs! Roubava folhas às escondidas para poder desenhar. Era um prazer indescritível.
Como você inventa suas histórias? Primeiro faz os textos ou os desenhos?
Primeiro faço a história, trabalho as idéias, acrescento coisas, tiro outras. Procuro fazer com que a história tenha começo, meio e fim, um final surpreendente. Depois, imagino os personagens, vou rabiscando. Depois vou pensando nos cenários, nos ambientes. Procuro fazer planos ousados, complexos, pra seduzir o leitor, introduzi-lo no cenário.
Quantos personagens você já inventou?
Tenho alguns personagens: A garota Andréa, Eddy, o Super-Herói, A Turminha da Ecologia. O meu predileto é o Super-Eddy (ao lado), um garoto rebelde, inteligente, que sonha em ser um herói e defender os fracos e oprimidos. Tenho muitos outros que estão na gaveta, pretendo ir soltando-os, aos poucos.
Você tem livros publicados?
A grande injustiça do mercado, hoje, comigo, é ainda não ter conseguido uma editora para publicar os meus livros de literatura infantil. Tenho três livros que foram aprovados pelo Fazcultura, um programa de incentivo à produção artística feita na Bahia. Busco um patrocinador. Sonho em um dia poder acordar, sair da cama logo cedo para só ilustrar e escrever livros para crianças. Atenção editoras: tenho muitos livros já escritos, falta-me apenas um editor.
Você gostou da nossa Oficina de Quadrinhos?
Adorei a Oficina de HQ, está perfeita, tanto para os iniciantes, como para os que já fazem.
Qual é o seu grande sonho como autor de quadrinhos?
Quero fazer parte da infância de muita gente, como agente da sua felicidade. Hoje, desenvolvo trabalhos com literatura, animações para uma rede privada de ensino. Estou desenvolvendo um projeto com animações para a internet, e busco parceiros. Quero seguir os passos do Fábio Yabu. Admiro muito o seu trabalho e quero conquistar as vitórias que ele conquistou, sem, contudo, copiá-lo.
Tenho um projeto, que é uma adaptação de uma coleção de livros de literatura, de minha autoria, O Reino Marinho, uma aventura fantástica que se passa no fundo do mar. Esta coleção tem mais de 10 anos de criada, não fiz cópia de ninguém. Sonho em vê-lo na net, busco parcerias.
Algum outro recado para o pessoal do Divertudo?
Sim, para quem mora em Salvador, Bahia. “A Menina Que Não Sabia Ler”. Este é o título da minha peça infantil, que se encontra em cartaz, numa montagem da Cia Teatral Diversaoeartes, aqui na cidade de Salvador no Novo Teatro da Ladeira. Teatro é outra grande paixão minha.
Abaixo, alguns estudos que Leônidas Grego
fez para uma ilustração de Conan.


Julho de 2008

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