Entrevista com Toni Brandão

Toni Brandão Um dos maiores prêmios foi a pergunta de um leitor: "Como é que eu conseguia fazer a pulsação do coração do garoto, no livro, ser igual à pulsação do coração dele?"

Qual foi a coisa mais engraçada que um leitor já te disse?

Foi: "Seus livros são tão legais! Nem parecem livros!" Pensando bem, é um pouco triste pensar que ainda tem gente que coloca o livro no lugar de coisas "não legais", mas o mundo está mudando... e mudando pra melhor!

Como você virou um escritor?
Desde bem pequeno, eu já ficava intrigado com a força transformadora das palavras! Como elas eram capazes de despertar medos, risos, sonhos... Depois, no colégio, os professores sempre chamaram atenção para a minha redação... e sempre foi muito legal escrever. Eu nunca lia ou fazia redações por obrigação, sempre era um enorme prazer!
E depois?
Depois, mais jovem, eu comecei a me envolver com grupos de teatro, circular por onde circulavam escritores... e tive a sorte de ficar amigo do grande escritor Caio Fernando de Abreu, que foi o primeiro a ler um original meu, viu ali alguma possibilidade interessante de comunicação e discussão de ideias para e com a garotada... e me ensinou um monte de coisas legais sobre esse ofício, que ele conhecia tão bem. Ah... antes de trabalhar com ficção, eu também escrevi alguns anos para o suplemento infantil da Folha de São Paulo... essa experiência me ajudou a ter disciplina e objetividade, sem perder o humor e a possibilidade de reflexão.


Qual foi seu primeiro
livro publicado?

"Nanica, minha irmã pequena!", pela Editora Melhoramentos, em 1989.

E qual é o de
maior sucesso?

"Cuidado:
garoto apaixonado"
!

Qual você acha que é o
motivo do sucesso deste livro?

É que ele fala de amor e amizade... da descoberta de amor sob o ponto de vista de um garoto... e os garotos se reconhecem e encontram uma possibilidade de entendimento sobre seus sentimentos. E as meninas, que também gostam de livro, encontram nele uma possibilidade de entender melhor esse admirável e desconhecido mundo da cabeça e do coração dos garotos.
Como você, sendo adulto, consegue escrever tão bem para adolescentes?
Acho que a razão principal é porque eu continuo mantendo um "olhar aprendiz e bem humorado" para o mundo.

Você conversa muito com eles?
Converso e os escuto com muito respeito a atenção.

O que a adolescência tem de melhor? E de pior?
A possibilidade de transformação (melhor)
e o medo de transformar (pior).
Você viveu situações parecidas com suas histórias?
Pode citar alguma?

Na verdade, como eu escrevo principalmente sobre comportamento, as situações são comuns para quase todo mundo, não só para mim. Estão no inconsciente coletivo. E eu faço questão de não contar na ficção as MINHAS experiências pessoais. Acho que ficaria chato e eu não me sentiria bem, "perturbando" a cabeça dos leitores com as minhas experiências.

Quais foram os prêmios mais importantes que você já conquistou?
Tenho alguns prêmios. O mais importante é o APCA (da Associação Paulista de Críticos de Arte) para o livro "Cuidado: garoto apaixonado!"... e ter ouvido de um leitor a pergunta: "Como é que eu conseguia fazer a pulsação do coração do garoto, no livro, ser igual à pulsação do coração dele?"

Você tem muitos projetos na cabeça?
Quer falar sobre algum deles?

Chiii! Um monte!!! Eu não paro. Estou lançando em breve uma coleção sobre uma escola de preparação para modelos! E que é bem engraçada e cheia de tramas paralelas perigosas... histórias de amor... amizade.... competição... e mistério!
Os leitores pedem histórias ou temas? Já aconteceu de um pedido virar uma história ou um livro?
Quando me oferecem ideias, eu agradeço e sugiro que a própria pessoa crie seu livro. Eu já tenho muitas ideias próprias arquivadas.

Você muda detalhes e textos depois que o livro está escrito? Pede palpites de outras pessoas antes de levar à editora?
Antes de entregar o original, sim, eu mexo bastante. Depois que entrego na editora, só ajusto erros pequenos. Sou bem rigoroso comigo mesmo, ao escrever. E tenho grande responsabilidade com os leitores e editores.

Que autores você gosta de ler para se inspirar?
Eu não acho que me inspire em outros autores, depois de 20 anos. Já tenho estilo próprio. Mas quando comecei, acho que tentava ter pelo menos um décimo do talento de Monteiro Lobato + Machado de Assis + Lygia Bojunga Nunes... veja que eu era bem rigoroso comigo!
O que gosta de fazer nas horas de lazer?
Adoro correr no parque perto de minha casa, ler e ficar em silêncio.

Alguma dica para quem quer tentar
escrever contos e histórias?

Acreditar no sonho e cuidar para
fazer sempre o melhor por sua história.

Junho de 2014



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